de Gisela Lacerda
No alto, no alto de uma montanha, no telhado de uma casa, no topo do morro, num mirante, no último andar dos arranha-céus de Nova York tinha-se a máxima impressão do caos. Eu desejava abraçar a cidade, se possível o país, o universo. Fazer amor com a droga fechada do mundo. O mundo é fechado ou são as pessoas as diabas frias? Áh! Erotizar com universo. Chamá-lo às minhas entranhas. O vento entraria gelado nos buracos que possuo a mais. Sou mulher! Posso fornecer ao universo o leite do qual ele tanto precisa.. Ah, meus filhos.. Venham com a mãe de peitos enormes virtuais!
Megalomania – havia esquecido a palavra para designar o desejo louco de ser um gigante.... Pisarei? Não, eu quero amar, carregar e chacoalhar a cabeça.... Puxando-lhe uma ventarola orgástica e suave. Todos comigo embalados pela mamãe.
Tenho medo do significado no dicionário: "mania das grandezas; perturbação mental caracterizada por idéias delirantes de grandeza; força física, poder, riqueza, identidade principesca, etc. Do grego mégas, > alout + mania.”
Não faça isso comigo, não queira que eu veja dessa forma arcaica, retrógrada um sentimento que percorre e insiste; insistência amorosa sim. Ora, eu quero e necessito embalar meus rebentos; eles estão doentes; eles anseiam por alguém que os guie na intensa jornada mecânica. Dicionários são de grande ajuda, mas preconceituosos demais quando se trata de subjetividade - o pai dos burros se defronta com a fluidez e a imprevisibilidade.
Coitados, tenho pena..