TROPAS DOS EUA MATAM 13 IRAQUIANOS
EM MANIFESTAÇÃO PRÓ-SADDAM
Folha Online, 29/04/2003  - 08h15
 

Soldados americanos mataram a tiros pelo menos 13 iraquianos e feriram outros 45 que participavam de uma manifestação em favor do ex-ditador Saddam Hussein perto de uma escola ontem à noite (horário local) na cidade de Falluja, a 50 km a oeste de Bagdá, disseram hoje testemunhas.

Moradores da cidade disseram que entre 13 e 17 pessoas foram mortas e 45 ficaram feridas quando soldados posicionados em uma escola dispararam contra manifestantes desarmados. O protesto pedia a saída das tropas dos EUA após a queda de Saddam Hussein.

"Os disparos ocorreram quando 500 manifestantes com retratos de Saddam Hussein e bandeiras iraquianas se aproximaram de uma escola ocupada por soldados americanos", declarou uma testemunha, Mohammed Hamid.

Defesa

Soldados dos EUA disseram às redes de televisão Al Jazeera e CNN que foram alvejados quando pediram para a multidão se dispersar e tiveram que responder.

Um oficial americano disse que os soldados dispararam "para defender-se". "Alguns manifestantes dispararam contra nós e tivemos de reagir", declarou.

Moradores, no entanto, disseram que os manifestantes estavam desarmados e pediam para os norte-americanos saírem da escola para que ela pudesse ser reativada.

O clérigo muçulmano sunita Kamal Shaker Mahmoud, que mora perto da escola, disse que os manifestantes desarmados foram à escola ocupada pedir para que as tropas americanas saíssem, mas os soldados abriram fogo.

"Eles abriram fogo contra os manifestantes porque eles saíram para protestar", disse.

Celebração

Segundo outra testemunha, que não quis ser identificada, os soldados americanos não foram ameaçados pelos manifestantes, que celebravam o 66º aniversário de Saddam Hussein.

Dos 13 mortos, seis tinham menos de oito anos, de acordo com essa testemunha.

Os mortos começaram a ser enterrados hoje, em meio a slogans como "sacrificaremos nossa alma e nosso sangue por vocês, mártires".

"Eles estão roubando nosso petróleo e massacrando nosso povo", disse Shuker Abdullah Hamid, quando ajudava a enterrar um primo no cemitério local.

Reconstrução

Os problemas com civis podem derrubar o otimismo expressado ontem durante encontro sobre a reconstrução do Iraque, que teve participação de 250 iraquianos e autoridades dos EUA e do Reino Unido.

Pelo menos seis combatentes iraquianos foram mortos ontem em conflito com tropas dos EUA em Mossul, no norte do Iraque. No sábado (26), pelo menos 12 civis foram mortos perto de Bagdá na explosão de um depósito de armas, provocando protestos contra a maneira como os norte-americanos vigiam as armas após a guerra.

Os Estados Unidos têm no momento cerca de 12 mil soldados em Bagdá e anunciaram que enviarão entre 3.000 e 4.000 a mais nos próximos dez dias.
 


Original em http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u55985.shtml, só para assinantes do UOL.